Recentemente li o livro “A Última
Carta de Amor”, da escritora Jojo Moyes. Como outros livros da escritora, não
consegui parar de ler enquanto não cheguei ao fim. Mas muitos pensamentos
ficaram me rondando desde então.
O livro conta a história de dois
amantes da década de 1960, 1970 que tiveram diversos desencontros e todo o amor
foi demonstrado através de cartas. Finalizei o livro pensando em como os anos
trouxeram mudanças na comunicação.
Antigamente era comum escrever
cartas, enviar postais, cartões em datas comemorativas. Aí veio o telefone, e
muita gente passou a ligar, era possível então ouvir a voz da pessoa. Com o
surgimento da Internet, apareceu o e-mail. E muitas cartas deixaram de ser enviadas
para mensagens instantâneas serem trocadas. Quantos e-mails de amor não foram
trocados?! Mas a tecnologia avançou e agora temos como trocar mensagens de
texto, voz e imagem. Na verdade, as letras que no milênio passado foram responsáveis
por provas de amor, hoje, se pensarmos bem, a ligação tomou o seu lugar.
Já reparou que quase ninguém te liga
mais? Algumas pessoas mandam mensagem de voz, que nem sempre podemos ouvir
dependendo de onde estivermos. Pouco ouvimos a voz das pessoas hoje em dia.
Pensando no fato da comunicação, me
deparei com outros fatores: moda, cabelo, decoração. Hoje muita gente está
buscando decorar a casa de uma forma vintage, como chamam agora o antigo.
Aquelas geladeiras antigas estão ganhando espaço na casa dos mais descolados.
Mas o que me chamou mais a atenção foi a volta das roupas da década de 80 e 90.
Eu sempre tive um trauma: não ter
tido um macacão jeans quando criança. E agora vejo os macacões por todos os
lados. Inclusive arrependi por ter me desfeito de duas jaquetas jeans, pois
estão super na moda novamente. As roupas vieram com nomes diferentes, mas se
compararmos com o que havia antes, vamos ver que tudo é cíclico. Gira como a
Terra e num determinado momento volta para o mesmo lugar.
Se for assim, de repente, as cartas
podem voltar. A necessidade de contato humano deve voltar. O desejo de
liberdade deve voltar, assim como um tempo que passa mais devagar e as pessoas
terão habilidades de apreciar o que e quem está a volta. Quem sabe um dia, as
correspondências na caixa de correio deixarão de ser apenas contas ou
propagandas e voltarão a ser cartas de pessoas queridas que querem compartilhar
um pouco de afeto com a gente!
O Natal está aí, quem sabe esta não
é uma boa época para que possamos retomar hábitos do século passado e surpreender
familiares e amigos com pequenas notícias vindas através dos Correios. Fica a
dica! Que tal trazermos o que era bom no passado para fazermos um presente
melhor. Afinal de contas, a vida é única e cheia de ciclos.