domingo, 19 de janeiro de 2014

O Brasil e o salário mínimo

Uma das coisas que mais me assustou quando voltei para o Brasil foi a questão de salários. Ironicamente, um dos motivos que me fez voltar deixou de ter importância ao ver os salários oferecidos para a minha área. Ou seja, a minha graduação, a minha pós e o meu inglês fluente não eram o suficiente para o mercado de trabalho, que exigia conhecimentos de programas de diagramação, foto, cafezinho, etc. E o pior, com salários que não eram bons nem para pagar um só profissional. Foi então que comecei a questionar sobre o salário mínimo daqui.

Conversando com a mãe do meu ex-flatmate um dia, comentei que o salário mínimo aqui girava em torno de 350 dólares neozelandeses. Aí ela disse: por semana, né? E respondi que não, que era por mês. Ela teve um choque. E realmente é para ter. Na Nova Zelândia, quem trabalha 40 horas por semana, recebe NZD $540 por semana, ou seja, $2160 por mês. Na Austrália, este valor salta para AUD $2720 o mês.

No final de dezembro, o governo brasileiro anunciou o aumento do salário mínimo para janeiro de 2014. Saiu dos R$ 678 para R$ 724. E fez isso como se fosse a maior e melhor coisa do mundo, informando o quanto de dinheiro ia injetar na economia este aumento. Melhor este aumento do que nenhum, mas a realidade nua e crua é que este valor ainda está muito aquém do que precisa ser. Este valor não traz dignidade a ninguém. Por outro lado, é preciso ressaltar a força do povo brasileiro que consegue sobreviver com este valor, são várias famílias que dependem deste salário para morar, comer e vestir. Nem vou citar o lazer, porque se elas conseguirem ainda ter lazer com R$724, elas são ninjas.

Fiz uns cálculos para comparar quanto sairia a hora trabalhada no Brasil, e para facilitar o entendimento, resolvi converter em dólar americano, que é a moeda mais comum. De acordo com a CLT (Consolidação das Leis de Trabalho), são 220 horas por mês. Com o novo valor do salário mínimo, a hora trabalhada no Brasil vale R$3,29 ou US$ 1,40. Voltando ao mínimo da Nova Zelândia,   a hora trabalhada seria NZD 1,70, o que significa que uma pessoa que trabalha 40 horas por semana lá, receberia $68 por semana, ou $272 por mês. Neste ponto vale uma ponderação, aqui no Brasil são 220 horas, já que considera o descanso remunerado, lá, seriam 160 horas, você recebe pelo que trabalhou e só.

De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), em dezembro de 2013 o salário mínimo deveria ser de R$ 2.765,44, 4,07 vezes maior do que o pago naquela época e 3,82 vezes maior do que os atuais R$ 724. 

O que tenho visto é pessoas formadas recebendo praticamente o valor que pagaram de mensalidade de faculdade, e com poucas perspectivas de mudanças no futuro. O tão sonhado diploma superior não tem ajudado muito, embora ainda seja melhor do que não ter diploma. E também uma queda dos salários, uma padronização para baixo. Os nossos pais recebiam proporcionalmente mais do que nós hoje, sendo que temos mais qualificações do que eles (em muitos casos).

Até quando vai ser assim?


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O blog

Quando eu decidi criar este blog, eu queria um espaço onde eu pudesse falar sobre os assuntos que me incomodam. Depois de morar dois anos fora do Brasil, voltar acreditando numa vida melhor, em oportunidades de trabalho melhores e num País melhor, eu cheguei a conclusão de que vejo muito mais problemas do que via antes de morar fora.

Vejo carros novos e importados nas ruas, prédios luxuosos sendo construídos, mas uma decadência em relação a salários. Cada dia vejo mais pré-requisitos, vagas querendo um profissional que faça o trabalho de três, mas com um salário que não vale nem a formação de um. Vejo pessoas saindo da faculdade, com uma perspectiva bem pessimista de se assentar na vida. Às vezes tenho medo de que seja somente eu que esteja vendo assim, ou melhor, que seja somente eu mesma, porque uma visão pessimista do País não ajuda muito a ninguém.

São tantas coisas que tenho vontade de falar, que nem sei por onde começar. A violência, a corrupção, os direitos humanos, as questões trabalhistas, sonegação, inflação, manifestação, copa do mundo, viagens e seus preços, e por aí vai.

Comecei o blog com o assunto do aumento do IOF, tudo porque no momento de criação este assunto apareceu do nada, pegando a população de surpresa. Aliás, somos sempre pegos de surpresa. Quando a nossa situação financeira aperta, precisamos nos organizar e colocar as contas em dia. Quando a situação do país aperta, o governo nos repassa a conta. O problema nem é tanto repassar a conta, o problema é que nunca temos o retorno do nosso dinheiro. Nossas estradas estão acabadas, tempo de chuvas e os mesmos problemas se repetem, aeroportos também são vergonhosos se comparados com outros países, entre outras coisas. São leis obsoletas que não punem criminosos. São tributos que fazem com que várias pessoas vivam na clandestinidade ou soneguem impostos e menos empregos são criados.

O que sei é: o Brasil precisa acordar. Não são manifestações na época da Copa que vão mudar, são escolhas na hora de votar, acompanhar o que o seu candidato está fazendo e cobrar sempre. Aí, quem sabe um dia, teremos um Brasil mais sério, mais justo.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Viagem ao exterior mais cara

A poucos dias do ano novo, o governo anuncia o aumento do IOF para travellers cheques e cartões pré-pagos. Isso significa que quem for comprar dólar, vai pagar mais caro, 6,38% agora. Segundo o governo, essa medida é para igualar com o que já vem sendo cobrado através das compras com cartão de crédito há quase dois anos.

Faz sentido? Faz. No entanto, o que não faz sentido é o governo penalizar cada vez mais o brasileiro. Para evitar gastos no exterior e aumentar o consumo no Brasil, o que o governo deveria fazer é reduzir os impostos desde a produção até o destino final, investir em infra-estrutura, com estradas melhores, barateando os fretes. E investir no turismo interno.

E investir em turismo interno significa uma política de redução de custos. Viajar no Brasil é muito caro. Eu amo viajar, e sem nenhuma vergonha, confesso que ao escolher meus destinos, prefiro pensar em viagens internacionais do que nacionais. Motivo? Sai mais barato e ainda conheço outro país.

Recentemente precisei ir ao Rio de Janeiro, entrevista para o visto americano. Resolvi passar o fim de semana e aproveitar a cidade. O custo com hotel, passagem aérea, e gastos por lá, ficou em torno de R$ 2000. Detalhe, num site de compras coletivas, 5 diárias em Cancun ou Las Vegas, com passagem aérea, pode sair por menos de R$ 1500. Isso porque nem citei que no mesmo site um pacote para o Nordeste brasileiro sai praticamente o dobro, e às vezes sem a parte aérea.

O gringo se apaixona pelo Brasil. E sabe o que eles dizem? As pessoas são felizes aqui. E esta que pode ser nossa maior qualidade, se torna o nosso maior defeito. Apesar de tudo, sorrimos, dançamos, e tratamos bem a todos que vem de fora. Não brigamos, aceitamos de cabeça baixa tudo o que os políticos, eleitos por nós, decidem. Não questionamos. E com isso, cada dia mais o Brasil se torna um país difícil de se viver.

Embora o imposto esteja mais alto, e a medida tenha pegado muita gente de surpresa, essa medida não deve impedir muito que o brasileiros continuem gastando no exterior. Bem, pelo menos enquanto os preços por aqui ainda estiverem mais altos.

Mas qual forma de pagamento escolher?

O cartão pré-pago ou o de crédito? Segundo especialistas, o pré-pago ainda continua sendo a melhor opção por garantir o valor da moeda e limitar seus gastos. Além disso, ainda é, na minha opinião, a forma mais segura de carregar o dinheiro em uma viagem. Meu conselho é, tenha um valor que garanta seus primeiros dias em dinheiro, carregue o seu cartão com o valor que você pretende gastar e use o cartão de crédito em eventuais compras, do tipo aquele produto com um preço que está realmente imperdível. Assim, evita o susto da fatura do cartão de crédito em época de grandes oscilações do dólar.