Fiquei quieta por um bom tempo, mas não deixei de observar tudo o que vem acontecendo no Brasil. E hoje, no dia da Independência, vale a pena refletir sobre aonde chegamos. No entanto, para entender o ponto em que estamos, é preciso viajar na história deste país de beleza exuberante, mas de homens de pouca moral.
Estou lendo 1808 (sugiro a leitura), e pelo pouco que já li, percebo que estamos aonde deveríamos estar e como deveríamos estar. A história nos condena. Infelizmente. Mas gostaria que fosse diferente. Depois de morar por dois anos em um país onde as coisas funcionam, onde existe segurança e as pessoas obedecem as leis, fica difícil ter algum tipo de orgulho por ser brasileira.
Morar fora nunca foi um objetivo, simplesmente aconteceu. E voltei bem mais crítica e talvez cética com este país que tanto defendi. Quando saí do Brasil, ainda acreditava que estávamos trilhando o caminho certo, que em pouco tempo estaríamos melhor posicionados no mundo. Era motivo de orgulho falar do Brasil para os europeus, americanos, neozelandeses, australianos... Eles também acreditavam no Brasil. No entanto, num espaço de dois anos, o país foi decaindo e muita gente não via, ou fingia que não via. Muitas pessoas ainda defendiam o governo e falavam que estava tudo bem.
E lá se foram mais quatro anos. O boom da engenharia caiu no abismo. Quem optou por engenharia e está prestes a se formar, está totalmente sem perspectiva de futuro. Os juros estão nas alturas. O governo gasta mais do que tem e arrocha a população com impostos. O dólar então, melhor nem comentar. Esta nova geração desconhece o câmbio no patamar que chegou nos últimos dias. E o desemprego rondando as casas dos brasileiros.
O que mais me assusta é que vejo gente ainda comentando que não existe crise. Onde esta a crise sendo que as pessoas continuam viajando de avião ou fazendo festas de aniversário gigantescas? Respiro fundo, pois que bom que para determinadas pessoas a crise ainda não tenha chegado ou ao menos afetado. E num mundo capitalista é assim, uns serão mais afetados que outros. Mas a crise existe. O Brasil tem um PIB negativo, o câmbio está alto, as empresas estão demitindo e o governo custou a admitir.
Vivemos um período de faz de conta, onde o governo Dilma apresentou números irreais e a população engoliu e a reelegeu. Agora estamos literalmente pagando por isto. Mas iríamos pagar de qualquer forma, o que poderia mudar era a confiança dos investidores e atitudes tomadas mais rapidamente, caso tivesse outro governo ali.
Não temos o que celebrar neste 7 de Setembro. Vivemos num país falido, moralmente falido. E não venha com o papo de coxinha. O assunto aqui não é PT ou PSDB! É mudança de educação, de consciência política, de cultura. É trocar a vantagem individual pelo coletivo. É respeitar o indivíduo. É inverter a posição e fazer com que o político governe para o povo.
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