Nunca fui muito ligada à política. Mas o tempo, a idade e a indignação com a atual situação do Brasil fizeram com que eu passasse a prestar mais atenção na política. Hoje acho que não existe partido político bom ou ruim, existem políticos bons e ruins, infelizmente mais ruins do que bons. E com isso vou levando minhas convicções do que pode ser bom para o Brasil.
Recebi a notícia da morte de Eduardo Campos, embarcada num avião em pleno Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Exatamente de onde ele partiu. Pouco sabia da vida política dele e devido ao trabalho não vi a entrevista concedida ao Jornal Nacional na noite anterior. Passei o vôo inteiro pensando na notícia e querendo saber mais. E ao mesmo tempo, pensando em como a vida prega peças. Numa hora a gente está aqui, no segundo seguinte, não está mais.
Durante a minha estada em São Paulo, um dos taxis que peguei bateu. Naquele momento pensei: caramba, estou aqui trabalhando e de repente algo pode me parar! E foi exatamente isso o que senti quando fiquei sabendo do acidente que vitimou Eduardo Campos e outras seis vítimas.
Depois do choque inicial, começo a me questionar o que faz sete pessoas estarem juntas para morrer. Marina Silva não estava no avião. A mulher dele também não, assim como outro assessor. Eram eles que tinham que estar ali para morrer. E como ficava a eleição dali para frente?
Eu que não entendo muito de política, estava ali, pensando agora como seria. Marina sendo lançada a candidata a presidência muda todo o cenário político. Na verdade, muda todo o curso da eleição presidencial. Acredito que o mais prejudicado agora será Aécio Neves, pois com certeza Marina vai crescer, e o povo brasileiro é muito emotivo, e esta morte trágica, inesperada, pode mudar muito a opinião dos eleitores.
Confesso que depois de tanto ver e ouviu sobre o Eduardo Campos, acho que até eu poderia votar nele. Mas depois que a pessoa morre, somente o lado bom é ressaltado. Mas o que mais me chamou a atenção no meio disso tudo, foi a postura da mulher dele, Renata Campos. Que postura mais digna pedir que o corpo dele fosse liberado junto com todos os outros! Fazer um velório com todos juntos. e permitindo que a população pudesse participar. Eu fiquei encantada com a fortaleza dessa mulher, e sua capacidade de tomar decisões tão dignas, bonitas, num momento tão difícil.
Vi tudo o que pude sobre a tragédia até o enterro, na noite de hoje, domingo 17 de agosto de 2014. como tantos outros brasileiros chorei junto. Vi que seus filhos devem seguir a carreira do pai. Vi uma expressão de paz em seus rostos, que foi surpreendente. E agora, penso: o que será do futuro deste Brasil? E acabou que a frase que ele disse em sua última entrevista, serviu para eu criar um pouco mais de confiança neste país que tanto me desaponta: "Não vamos desistir do Brasil". Que isso fique na cabeça dos brasileiros e que nós possamos escolher melhores nossos governantes e assim, caminharmos para um futuro melhor.
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